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quinta-feira, 9 de maio de 2013
O SENHOR VERDADEIRAMENTE RESSUSCITOU
O Senhor Ressuscitou
Verdadeiramente
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Sermão pregado na manhã de Domingo de 13 de Abril de 1873,
Por Charles Haddon Spurgeon
No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.
“E, estando elas muito atemorizadas, e abaixando o rosto para o
chão, eles lhes disseram: por que buscais o vivente entre os
mortos? Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos
falou, estando ainda na Galiléia.” Lucas 24:5-6
O primeiro dia da semana comemora a ressurreição de Cristo, e,
seguindo o exemplo apostólico, temos constituído o primeiro dia da
semana como nosso dia de repouso. Isso não nos sugere que o repouso
de nossas almas deve ser achado na ressurreição de nosso Salvador?
Não é certo que uma clara compreensão da ressurreição de nosso
Senhor é, através do Espírito Santo, o meio mais seguro de trazer paz
as nossas mentes? Ser participante da ressurreição de Cristo é
desfrutar desse dia de repouso que resta para o povo de Deus. Nós que
temos crido no Senhor ressuscitado entramos no repouso, assim como
Ele mesmo repousa a destra de Deus. Nele descansamos porque Sua
obra foi consumada e Sua ressurreição é a garantia de que aperfeiçoou
todo o necessário para a salvação de Seu povo, e nós estamos completos
Nele. Eu confio que, pelo poder do Espírito Santo, sejam semeados nas
mentes dos crentes alguns pensamentos condutores ao repouso,
enquanto realizamos uma peregrinação ao sepulcro novo de José de
Arimateia e vemos o lugar onde o Senhor esteve sepultado.
I. Primeiro, nessa manhã irei falar-lhes sobre certas LEMBRANÇAS
INSTRUTIVAS que se aglomeram em torno do lugar onde Jesus dormiu
“com os ricos na morte”. Ainda que Ele não está ai agora, com toda
certeza esteve ai uma vez, pois ―foi crucificado, morto e sepultado‖.
Esteve tão morto como os mortos estão agora, a ainda que Ele não
pudesse ver a corrupção, nem podia ser retido pelos laços da morte
mais além do tempo predestinado, contudo, Ele esteve sem sombra de
dúvida morto. Não restou nenhuma luz em Seus olhos, nem vida
alguma em Seu coração. O pensamento fugiu de Sua fronte coroada de
espinhas, e Sua boca de ouro emudeceu. Ele não morreu simplesmente
em aparência, mas sim em realidade; a lança resolveu essa dúvida de
uma vez por todas; portanto, tendo sido morto, foi colocado em um
sepulcro como um idôneo ocupante da calada tumba. No entanto, como
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Ele não está ali agora, mas ressuscitou, nos corresponde recolher os
objetos que nos recordam que Ele esteve ali. Não contenderemos com os
sectários supersticiosos pelo ―Santo sepulcro‖, mas sim iremos recolher
em espírito as preciosas relíquias do Redentor ressuscitado.
Primeiro, Ele deixou no sepulcro as especiarias. Quando ressuscitou,
não levou as custosas ervas aromáticas com as que Seu corpo tinha
sido envolto, mas sim as deixou lá. José tinha trazido cerca de 100
libras de peso de mirra e aloés, cujo odor permanece ainda. Nosso
Senhor Jesus encheu o sepulcro de sepulcro no mais doce sentido
espiritual. Já não cheira a corrupção nem a fétida putrefação, mas sim
que podemos cantar com o poeta do santuário –
“Por que teríamos de temer que depositem
Nossos corpos no sepulcro?
Ali esteve a amada carne de Jesus,
E ela deixou um perfume duradouro.”
Aquele humilde leito na terra está agora perfumado com custosas
especiarias e se apresenta enfeitado com flores aromáticas, pois sobre
sua almofada nosso Amigo mais verdadeiro apoiou Sua santa cabeça
uma vez. Nós não retrocederemos com horror das câmaras dos mortos,
pois o próprio Senhor as percorreu, e onde Ele esteve, o terror se
dissipa.
O Mestre deixou também Seus lençóis ao partir. Não saiu da tumba
envolto com uma mortalha; não levava as vendas da tumba como um
traje da vida; mas quando Pedro entrou no sepulcro, viu os lençóis
sozinhos e cuidadosamente dobrados. Atrevo-me a dizer que Jesus os
deixou ali para que fossem as cortinas do aposento real onde Seus
santos se entregam ao sono. Olhem como eles encobriram nosso último
leito! Nosso dormitório já não é sombrio e nu, como a cela de uma
prisão, mas sim está decorado com um linho fino e com lindos
estofados: é um aposento digno de príncipes! Iremos ao nosso último
aposento em paz, porque Cristo o mobiliou para nós. Ó, se mudamos a
metáfora, poderíamos dizer que nosso Senhor deixou esses lençóis para
que os consideremos como garantias de Sua comunhão conosco em
nosso humilde estado, e como lembranças de que assim como Ele
despojou-se das vestes da morte, assim nós também o faremos. Ele
levantou-se de Seu divã e deixou ali Seus pijamas em sinal de que
quando nós despertemos, haverá também outras vestes prontas para
nós.
Mudarei de novo a figura, e direi que assim como temos visto velhas
bandeiras esfarrapadas penduradas nas catedrais e em outros edifícios
nacionais como lembranças dos inimigos derrotados e das vitórias
conquistadas, assim também, na cripta onde Jesus venceu a morte
estão penduradas Seus panos, como troféus de Sua vitória sobre a
morte, e como nossa garantia de que todo Seu povo será mais que
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vencedor por meio Daquele que o amou. ―Onde está, ó morte, seu
aguilhão? Onde está, ó sepulcro, sua vitória?‖
Logo, cuidadosamente enrolado em um lugar separado, nosso Senhor
deixou o sudário que tinha coberto Sua cabeça. O sudário está agora
por ali. O Senhor já não necessitava dele quando ressuscitou. Os que
choram podem usá-lo como um lenço para enxugar suas lágrimas.
Vocês, viúvas, e vocês órfãos – vocês irmãos que se lamentam e vocês
irmãos que choram – vocês, vocês, Raqueis que não querem ser
consoladas porque seus filhos pereceram, tomem aqui, tomem esse
sudário com o qual envolveram o rosto de seu Salvador, e enxuguem
suas lagrimas para sempre. O Senhor verdadeiramente ressuscitou e,
portanto, assim disse Jeová: ―reprime do pranto tua voz, e das lágrimas
teus olhos.... porque voltarão da terra do inimigo”; Teus mortos viverão.
Ó, você que guarda luto, seus seres queridos ressuscitarão
conjuntamente com o cadáver do Senhor; portanto, não se aflijam como
fazem o que não tem esperança, pois se vocês creem que Jesus morreu
e ressuscitou, o Senhor levará consigo também aos que dormem em
Jesus.
O que mais o Salvador ressuscitado deixou para trás? Nossa fé tem
aprendido a recolher algumas doces recordações do leito do tranquilo
sono de nosso Senhor. Bem, amados, Ele deixou anjos atrás de si,
convertendo assim a tumba em –
“Uma cela onde os anjos estão
Em ir e vi com novas celestiais.”
Os anjos não tinham estado antes na tumba, mas, em Sua
ressurreição, desceram até lá; um deles rodou a pedra, e outros se
assentaram onde o corpo de Jesus tinha sido colocado. Eles eram
assistentes pessoais e a escolta do Grandioso Príncipe, e, portanto, lhe
prestaram assistência em Sua ressurreição, vigiando a entrada e
respondendo às perguntas de Seus amigos. Os anjos são cheios de vida
e vigor, mas não duvidaram em se reunir no sepulcro para adornar a
ressurreição da mesma forma que as flores enfeitam à primavera. Eu
não leio que nosso Senhor tenha jamais retirado os anjos do sepulcro
de Seus santos; e agora, se os crentes morrem, tão pobres como Lázaro,
e tão enfermos e tão desprezados como ele, os anjos transportarão suas
almas ao seio de seu Senhor, e seus corpos serão vigiados pelos
espíritos guardiães tão certamente como Miguel guardou o corpo de
Moisés e contendeu por ele com o inimigo. Os anjos são tão servidores
dos santos viventes como são custódios de Seu povo.
O que mais deixou nosso Amado para trás? Ele deixou uma passagem
aberta desde o sepulcro, pois a pedra foi rolada; essa casa da morte
está sem portas. Se o Senhor não vier logo, nós também desceremos ao
calabouço da tumba. O que eu disse? Eu chamei de ―calabouço; mas,
como chamar de calabouço se ele não tem mais ferrolhos nem trincas.
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Uma prisão é uma prisão se não ela tem nem mesmo uma porta que
deixe preso seus ocupantes? Nosso Sansão arrancou as colunas e
espatifou as portas da tumba com todas suas barras. A chave foi
retirada do cinturão da morte e hoje é levada pela mão do Príncipe da
Vida. O selo quebrado e os vigilantes desfalecidos são sinais que o
calabouço da morte não pode reter mais seus cativos. Assim como
Pedro, quando foi visitado pelo anjo, viu que suas cadeias se romperam
e que as portas de ferro se abriram sozinhas, assim também os santos
encontrarão um escape disponível na manhã da ressurreição. Dormirão
por um tempo, cada um em seu lugar de descanso, mas se levantarão
sem problemas, já que a pedra do sepulcro foi rolada. Um poderoso anjo
rodou a pedra, pois era muito grande, e quando ele o fez, se sentou
sobre ela. Suas vestes eram brancas como a neve, e seu rosto era como
o relâmpago, e estando sentado sobre a pedra, ele parecia dizer à morte
e ao inferno: ―coloquem ela de volta se puderem‖ –
―Quem reconstruirá a prisão do tirano?
O cetro que caiu de suas mãos ficou quebrado;
Seu domínio acabou; o Senhor ressuscitou;
Os indefesos logo serão libertos de seus laços”.
Aventuro-me a mencionar mais uma coisa que meu Senhor deixou em
Sua tumba abandonada. Visitei faz alguns meses vários dos grandes
edifícios com nichos para urnas crematórias que se acham fora das
portas de Roma. Você entra em um grande edifício, na terra, e desce
muitos degraus, e conforme desce, observa nas quatro paredes da
grande câmara, inumeráveis pequenos armários onde estão depositadas
as cinzas de dezenas de milhares de pessoas que faleceram.
Usualmente na frente de cada compartimento preparado para recepção
das cinzas existe uma lâmpada. Eu vi centenas, se não milhares, dessas
lâmpadas, mas todas estão apagadas, e certamente dão a impressão de
jamais terem sido iluminadas. Não projetam nenhum raio sobre as
trevas da morte. Porem, nosso Senhor entrou na tumba e a iluminou
com Sua presença: ―a lâmpada de seu amor é nossa guia através da
penumbra‖. Jesus trouxe a vida e a imortalidade à luz por meio do
Evangelho; e agora existe luz nos pombais onde se colocam os cristãos;
sim, em cada cemitério existe uma luz que arderá através das vigílias da
noite da terra até que amanheça o dia e as sombras fujam e então
desponte a manhã da ressurreição.
Assim, então, a tumba vazia do Salvador nos deixa muitas doces
reflexões que guardamos para nossa instrução.
II. Nosso texto fala expressamente das BUSCAS VÃS: ―por que buscais
entre os mortos ao que vive? Não está aqui, mas ressuscitou‖.
Existem lugares onde os buscadores de Jesus não deveriam esperar
encontrá-Lo, independente de quanto sejam diligentes sua busca e de
que sincero seja seu desejo. Não se pode encontrar um homem onde ele
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não está, e existem certos lugares nos que Cristo não pode jamais ser
achado. Nesse presente momento vejo muitos seres que buscam a
Cristo entre os monumentos do cerimonialismo, ou no que Paulo
chamou ―os débeis e pobres rudimentos”, pois eles “guardam os dias,
meses, tempos e anos‖. Desde que nosso Senhor ressuscitou o judaísmo
e toda forma de cerimônia simbólica não passam de nada mais que
sepulcros, tipos foram ordenados pelo próprio Deus, mas que quando
veio à substância mesma dessas coisas, se converteram em sepulcros
vazios e nada mais. Desde então os homens inventaram outros
símbolos que nem sequer tem a sanção da autoridade divina, e que só
são tumbas de mortos. Nessa época presente o mundo foi loucamente
atrás de seus ídolos, sendo enganado e iludido por aqueles que têm um
zelo por Deus, mas não conforme a ciência. Certamente nunca houve
um período, inclusive quando Roma era dominadora, em os homens se
apegaram a cerimônias com tanta velocidade como que no presente dia;
converteram o cristianismo em um julgo maior de servidão do que foi o
próprio judaísmo; porem, uma alma sincera e desperta em vão esperará
encontrar Jesus entre essas vãs representações. Elas podem deslizar-se
de um dia santo a outro, e de um lugar santo a outro, e de palavras
mágicas para outras, porem, não encontrarão ao Salvador em nada
disso, pois Ele mesmo declarou assim: ―Nem nesse monte nem em
Jerusalém adorareis ao Pai... Mas a hora vem, e agora é, em que os
verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque
o Pai procura a tais que assim o adorem.‖ (João 4:23). Jesus rasgou o
véu e aboliu a adoração cerimonial, e, no entanto, os homens buscam
revivê-las, edificando os sepulcros que o Senhor demoliu. Ele repete aos
nossos ouvidos a advertência nesse dia: ―Guardai, pois, com diligência
as vossas almas, pois nenhuma figura vistes no dia em que o SENHOR,
em Horebe, falou convosco do meio do fogo; para que não vos corrompais,
e vos façais alguma imagem esculpida na forma de qualquer figura,
semelhança de homem ou mulher;‖ (Deuteronômio 4:15-16). No entanto,
certos homens entre nós estão dedicados a levantar os altares que
nossos piedosos antepassados derrubaram, e a obra dos reformadores e
dos protestantes tem que ser realizada de novo agora. Que Deus nos
envie um Knox ou um Lutero com um maravilhoso martelo para fazer
pedaços dos ídolos que dos sacerdotes de Baal que estão se levantando!
Buscam o vivo entre os mortos. Jesus não está em suas missas nem em
suas procissões. Ele ressuscitou muito além de tal adoração carnal. Se
Ele fosse um Cristo morto, tal adoração poderia até ser, talvez, um
apropriado desfile sobre Sua tumba, mas para um que vive para
sempre, deve ser insultante apresentar um serviço tão materialista.
Mas, ai, existem muitas outras pessoas que estão buscando a Cristo
como seu Salvador entre as tumbas da reforma moral! Nosso Senhor
comparou os fariseus com sepulcros caiados; internamente estava
cheios de ossos, mas exteriormente estavam formosamente adornados.
Ó, de que forma os homens tratam de se branquearem quando se
colocam intranquilos quanto as suas almas! Renunciam algum pecado
grave, não de coração, mas somente em aparência, e cultivam certas
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virtudes, não de alma, mas somente por ato externo, e assim esperam
ser salvos ainda que sigam sendo inimigos de Deus, amantes do pecado
e avarentos buscadores da paga da injustiça. Esperam que o exterior
limpo do vazo e do prato satisfaça o Altíssimo, e que Ele não seja tão
severo para revisar o interior e provar seus corações.
Ó senhores, vocês buscam ao vivo entre os mortos? Muitos têm buscado
paz para suas consciências por meio de suas reformas morais, mas se o
Espírito Santo os convenceu verdadeiramente de pecado, logo eles
descobrirão que estavam buscando um Cristo vivo entre as tumbas. Ele
não está aqui, pois ressuscitou. Se Cristo estivesse morto, muito bem
poderíamos dizer-lhes: ―Vão e façam tudo que possam para serem seus
próprios salvadores‖; porem, entanto que Cristo está vivo, Ele não
precisa de sua ajuda. Ele os salvará de princípio a fim, ou não o fará de
forma alguma. Ele será o Alfa e o Ômega para vocês, mas se vocês
colocarem suas mãos sobre Sua obra e pensarem que podem ajudar ao
Senhor de alguma maneira, você já teriam desonrado Seu santo nome,
e Ele não teria nada que ver com vocês. Não busquem uma salvação
viva entre os sepulcros da formalidade externa.
Muitíssimas pessoas também estão esforçando-se para encontrar o
Cristo vivo entre as sepulturas que se aglomeram aos pés do Sinai; elas
olham para lei buscando vida, mas o ministério dela é morte. Os
homens pensam que devem de ser salvos guardando os mandamentos
de Deus, que devem fazer o melhor que podem, e concebem que seus
esforços sinceros serão aceitos, e que assim se salvarão por eles
mesmos. Essa ideia de justiça própria é diametralmente oposta ao
espírito do Evangelho. O Evangelho não é para você que crê que pode se
salvar a si mesmo, mas para os que estão perdidos. Se você pode salvar
a si próprio, anda a faz isso, e não burle do Senhor com suas hipócritas
orações. Anda e tropeça entre as tumbas do antigo Israel, e pereça como
eles pereceram no deserto, pois nem Moisés nem a lei podem conduzilos
ao repouso. O Evangelho é para os pecadores que não podem
guardar a lei, que a quebrantaram e que incorreram em seu castigo, e
que sabem o que o fizeram e o confessam. Para tais pessoas veio um
Salvador vivo que apaga suas transgressões. Não busquem a salvação
pelas obras da lei, pois por elas nenhuma carne vivente será justificada.
Pela lei vêm o conhecimento do pecado e nada mais; mas a justiça, paz,
vida e a salvação vêm pela fé no Senhor Jesus Cristo vivo e não por
outros meios. ―Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo”; mas se o seu
propósito for estabelecer sua própria justiça, com toda certeza você
perecerá, porque terá rejeitado a justiça de Cristo.
Existem outros que buscam ao Jesus vivo entre as tumbas tratando de
identificar algo bom na natureza humana, em seus próprios corações e
em sua disposição natural. Posso vê-los agora, pois o conheci desde
muito tempo, e essa tem sido sempre sua insensatez: você irá ao
ossuário de sua própria natureza e perguntará: ―Jesus está aqui?‖.
Amado, você está triste e deprimido, e isso não me surpreende. Olhe
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aqueles ossos secos e esses esqueletos embranquecidos. Olhe esse
monte de podridão, essa massa de corrupção, esse corpo de morte; você
pode tolerar o espetáculo? ―Ah‖ você responde – ―eu verdadeiramente
sou um homem desventurado, mas anelo achar algo bom em minha
carne‖. Ó amado, suspiras em vão, pois olhar em sua própria natureza
carnal para encontrar consolação equivale a vasculhar o inferno para
encontrar lá o céu. E aqui, nesse dia, Deus abandonou à velha natureza
e a entregou à morte. Sob a antiga lei, a circuncisão significava remover
a imundícia da carne, como se depois que essa imundícia
desaparecesse a carne pudesse ser melhorada, mas agora, sob o novo
pacto, temos um símbolo muito mais profundo, pois ―Ou não sabeis que
todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua
morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte;
para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do
Pai, assim andemos nós também em novidade de vida‖. (Romanos 6:3-
4). O homem velho está enterrado como algo morto, de quem não pode
sair nada de bom. ―Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele
crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não
sirvamos mais ao pecado‖ (Romanos 6:6). Deus não tenta renovar a
velha mente carnal, mas faz de nós novas criaturas em Cristo Jesus. Se
qualquer homem que pratica a introspecção com o alvo da consolação,
bem poderia acumular blocos de gelo de Wenham com intenção de
queimar uma cidade. Se vocês estão dando corda para seus corpos e
sentimentos, para seus pensamentos e imaginações com o fim de
descobrir consolo, é como se esperassem encontrar preciosos diamante
varrendo as estradas. ―Não está aqui‖, diz a totalidade de nossa velha
natureza. Não está aqui; ressuscitou; e para consolação, devem olhar
unicamente para Ele, que está entronizado nos céus.
Ademais, muitas pessoas tentaram encontrar Cristo no meio das
sombrias catacumbas da filosofia do mundo. Por exemplo, no Domingo
lhes encanta receber um sermão saturado de pensamento, e o
significado moderno de pensamento é algo que está mais além, se não é
que oposto, ao simples ensino da Bíblia. Se um homem fala para sua
congregação do que encontra nas Escrituras, é dito que ele ―fala
banalidades‖; mas se um homem diverte sua congregação com seus
próprios sonhos, sem importar quão opostos pudessem ser dos
pensamentos de Deus, então é considerado ―um pensador‖, é um
―pregador altamente intelectual‖. Poderia até existir alguns que amem
as divagações dos sonhadores e as durezas dos céticos acima de todas
as coisas. Se eles podem ouvir o que um professo infiel diz contra a
Inspiração, se podem ser entretidos com a mais recente blasfêmia,
alguns destes ouvintes sentem que estão logrando avanços nessa
cultura mais sofisticada, que é tão alardeada em nossos dias. Porem,
creiam-me, as cavernas frequentadas pelos morcegos da falsa filosofia e
da pretendida ciência foram exploradas uma e outra vez, mas a
salvação não habita nelas. Nos dias de Paulo havia gnósticos que
andavam por todos os serpeantes lugares de erudição vangloriosa, mas
só descobriram ―outro evangelho que não era outro‖. O mundo não
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conheceu a Deus pela sabedoria. Depois de perambular em meio das
sombrias catacumbas da filosofia, regressamos a respirar ao fresco ar
fresco da Palavra vida, e no tocante aos labirintos da ciência,
expressamos com voz entrecortada a frase: ―o Senhor não está aqui‖. A
razão não O encontrou em suas mais profundas minas, nem a
especulação O achou em seus mais elevados voos, ainda que de
verdade, Ele não está longe de nenhum de nós. Atenas tem seu Deus
desconhecido, mas, no simples Evangelho, Deus é conhecido na pessoa
de Jesus. Sócrates e Platão sustentam suas velas, mas Jesus é o sol.
Nossos pensadores modernos criticam, disputam e, no entanto, em
nosso meio, um Cristo vivo converte os pecadores, anima aos santos e
glorifica a Deus. Se o Senhor fosse um tema morto para debate, a
filosofia poderia nos ajudar; mas como Ele é um poder vivente, um grão
de fé Nele é melhor do que montanhas de filosofia.
Ó vocês que não conhecem a vida interior, nem o Espírito vivificador, o
que vocês têm haver com o Senhor ressuscitado? Que vocês se
convertessem nos árbitros da verdade concernentes a Jesus nosso
Senhor equivaleria que o verme da corrupção se convertesse em um juiz
de querubins.
Eu ansiosamente desejo, verdadeiramente, que vocês que estiveram
buscando a salvação em qualquer dessas direções renunciem a essa
desesperada tarefa e entendam que Cristo está perto de vocês, e se
vocês creem Nele com o coração e com a boca o confessam, serão
salvos. “Olhai para mim e seus salvos, todos os términos da terra, porque
eu sou Deus e não há outro”: esse é o clamor Dele para vocês. ―A fé é
pelo ouvir, e o ouvir, pela palavra de Deus”. “Crê no Senhor Jesus Cristo
e serás salvo‖, Jesus ainda vive, e pode salvar perpetuamente. Tudo o
que se tem que fazer é simplesmente voltar para Ele o olhar de sua fé:
por essa fé, Ele se converte seu, e você é salvo, mas, ó, não busque
entre os mortos Aquele que vive, pois Ele ressuscitou.
III. Vamos mudar outra vez nosso teor e vamos considerar, em terceiro
lugar, OS DOMICÍLIOS INADEQUADOS. Os anjos disseram às
mulheres: ―não está aqui, mas ressuscitou‖. O que equivale a dizer:
posto que Ele vive, não mora aqui. O Cristo vivo poderia ter ficado na
tumba e converter o sepulcro em Seu lugar de repouso, mas isso não
teria sido apropriado; e isso nos ensina hoje que os cristãos devem
morar em lugares apropriados para eles. Vocês ressuscitaram em
Cristo, portanto, não deveriam residir no sepulcro. Irei falar-lhes agora
aos que, para efeitos práticos, vivem no sepulcro, ainda que tenham
ressuscitado dos mortos.
Alguns deles são excelentes indivíduos, mas seus temperamentos e
talvez suas erradas convicções do dever lhes conduz a estarem
perpetuamente sombrios e desanimados. Esperam ter crido em Cristo,
mas não estão seguros; confiam que são salvos; mas não seriam o
suficiente presunçosos para dizê-lo. Não se atrevem a ser felizes
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desfrutando da convicção de que são aceitos no Amado. Amam a corda
lamentosa da harpa, e lamentam um Deus ausente. Esperam que as
promessas divinas serão cumpridas; confiam que, talvez, em um desses
dias eles poderão sair à luz e que verão um pouco da luminosidade do
amor do Senhor, mas agora estão dispostos a se deter e, por hora,
moram no vale da sombra da morte e sua alma está dolorosamente
sobrecarregada.
Querido amigo, você pensa que essa é uma condição apropriada para
um cristão? Eu não irei negar seu cristianismo nem por um momento,
pois não tenho nem a metade das dúvidas sobre isso das que você
mesmo têm; tenho uma melhor opinião de você do que você mesmo tem
de você. O mais trêmulo crente em Jesus é salvo, e sua pouca fé o
salvará; porem, realmente você crê que Cristo tinha a intenção de que
você ficasse onde está, sentado na fria e silenciosa tumba, no meio do
pó e das cinzas? Por quê você deveria se manter na clandestinidade?
Por que não vir ao jardim do Mestre onde as flores exalam seu perfume?
Por que não desfrutar da fresca luz da plena segurança e do doce alento
das influências consoladoras do Espírito? O que habitava entre as
tumbas era um louco; não o imite. Não diga: ‗eu fui tão pecador que
isso é tudo o que mereço desfrutar‘, pois ao falar de merecer, já tem
deixado por completo o Evangelho. Eu sei que você crê em Jesus, e que
não renunciaria sua esperança por nada nesse mundo; você sente,
depois de tudo, que Ele é um Cristo precioso para ti; vem, então,
regozija-se Nele, ainda que não possa se regozijar em você mesmo. Vem
amado, sai dessa horrível cripta, a deixe de imediato! ―Ainda que vos
tenhais deitado entre redis, contudo sereis como as asas duma pomba,
cobertas de prata, e as suas penas, de ouro amarelo.‖ (Salmos 68:13).
Seu Senhor se aproxima de você nessa hora e lhe diz: ―Pomba minha,
que andas pelas fendas das penhas, no oculto das ladeiras, mostra-me a
tua face, faze-me ouvir a tua voz, porque a tua voz é doce, e a tua face
graciosa.‖ (Cânticos 2:14). Membros do corpo de um Salvador
ressuscitado, vocês irão ficar ainda na tumba? Levantem-se e saiam!
Não duvidem mais. Ó crente, que motivo você tem para duvidar de seu
Deus? Ele mentiu alguma vez? Não questione mais o poder do sangue
precioso. Porque você haveria de duvidar Dele? Esse sangue não é
capaz de lhe limpar do pecado? Não pergunte mais sobre se você é salvo
ou de poder sê-lo; se você crê, você está tão seguro como Cristo está; se
você está apoiado Nele, você não pode perecer mais do que Cristo pode
perecer; Sua palavra o garantiu, Sua honra está envolvida nisso e Ele
certamente o levará ao repouso prometido; portanto, você deve ser feliz.
Vamos, eu conheço a um irmão que viveu enterrado nas catacumbas e
nas criptas por tanto tempo que ele condena a seus irmãos porque eles
vivem na luz do sol, e diz: ―não posso entender que um homem fale tão
confiadamente, não posso entendê-lo‖. Meu querido irmão, que você
não possa entendê-lo não quer dizer que esteja mal. Existe muito sobre
as águias que as corujas não entendem. Você, que está inquietando-se
e preocupando-se sempre dessa forma, está pecando contra Deus, está
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contristando Seu Espírito, está atuando inconscientemente com sua
profissão de fé cristã, e, no entanto, ainda se atreve a julgar os outros
que creem que Deus é verdadeiro e tomam Sua palavra em conta, e,
portanto, obtêm gozo e consolo de Sua promessa. Jamais faça isso;
seria algo malvado que você se colocasse como juiz. Em vez disso, ore
pedindo ao Senhor que levante a luz de Seu rosto sobre ti, para que lhe
dê gozo e paz na fé, pois Ele diz isso: ―Alegrai-vos no Senhor e gozai,
justos; e cantai com júbilo todos vós os retos de coração.‖ Saia da tumba,
querido irmão, pois Jesus não está ali, e, se Ele não está lá, por que
você deveria de estar? Ele ressuscitou. Ó, levante-se e seja consolado,
também, no poder do Espírito Santo.
Outro tipo de gente parece morar entre as tumbas: refiro-me a cristãos
– e confio que sejam verdadeiros cristãos – mas que são muito, muito
mundanos. Que um homem seja diligente nos negócios não é pecado,
mas é uma lastimável falha quando a diligência nos negócios destrói o
fervor do espírito e quando não se serve a Deus na vida cotidiana. Um
cristão deveria ser diligente para prover coisas honestas aos olhos de
todos os homens, mas existem alguns que não se contentam com isso.
Eles têm o suficiente, porem, cobiçam mais, e quando tem mais, ainda
estendem seus braços como mares para abraçar toda a costa, seu
pensamento principal não é Deus, mas sim o ouro; não é Cristo, mas
sim a riqueza.
Ó irmãos, irmãos, permitam-me repreendê-los sinceramente, para que
não recebam uma severa reprovação, na providência, em suas próprias
almas. Cristo não está aqui! Ele não habita nos montes de prata. Vocês
poderiam ser muito ricos, e, no entanto, poderiam não encontrar a
Cristo em todas essas riquezas; e poderiam ser pobres, e ainda assim,
se Cristo estivera com vocês, seriam felizes como os anjos. Ele não está
aqui, ressuscitou! Uma tumba de mármore O reteria, nem uma tumba
de ouro poderia contê-LO. Não permita que contenha você. Desenrole a
mortalha encerrada em seu coração; lança todo seu cuidado sobre Deus
que cuida de você. Deixe que sua conversa seja no céu. Não coloque seu
afeto nas coisas da terra, e sim o coloque nas coisas de cima, onde
Cristo está assentado à destra de Deus.
Direi algo mais sobre esse ponto e é um tema mais doloroso ainda:
existem alguns professos que vivem no depósito de cadáveres do
pecado. No entanto, dizem que são membros do povo de Deus. Não, não
direi que vivem no pecado, mas fazem algo que talvez seja pior: buscam
o pecado para encontrar nele seus prazeres. Eu suponho que podemos
julgar a um homem mais por aquilo em que ele acha prazer do que
qualquer outra coisa. Um homem poderia dizer: ―eu não frequento
sempre os divertimentos do mundo; nem sempre me encontro onde o
pecado se mescla com o júbilo, nem onde os mundanos dançam na
beira do inferno; mas vou ali de vez em quando para desfrutá-lo às
vezes‖.
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Não posso evitar a observação de Rowland Hill, quem, quando se reuniu
com um professo que ia ao teatro e que era membro de sua igreja, disse:
―Entendo que você vai ao teatro‖. ―Não‖ – lhe respondeu o professo – ―eu
só vou de vez em quando para satisfazer-me‖ ―Ah‖- disse o Sr.Hill – ―isso
piora tudo. Suponha que alguém diga: ‗o Sr.Hill é um ser estranho, pois
come carniça‘. Então me perguntariam: ‗é verdade, Sr. Hill, que você
vive de carniça?‘ ‗Não, eu não como carniça habitualmente, mas como
um pratinho de carniça de vez em quando para matar a vontade‘. Pois
bem, você pensaria que eu sou mais sujo que o que teria sido se a
comesse sempre‖.
Existe uma grande força nessa observação. Se tudo aquilo que beira o
imundo e o lascivo é um deleite para você, então seu próprio coração é
imundo, e você está buscando seu prazer e consolo entre os mortos.
Existem algumas coisas das quais os homens derivam satisfação em
nossos dias que só são idôneas para fazer os idiotas rirem e os anjos
chorarem. Sejam seletivos, homens e mulheres cristãs, enquanto suas
companhias. Vocês são irmãos de Cristo; por acaso irão se juntar com
os filhos de Belial? Vocês são herdeiros da perfeição em Cristo; mesmo
agora estão vestidos de linho imaculado e são formosos e belos aos
olhos de Deus; vocês são um sacerdócio real, são os eleitos da
humanidade; vocês arrastarão suas vestes na lama e se tornarão motivo
de piadas dos filisteus? Vocês se juntarão com os necessitados filhos do
mundo? Não; atuem de acordo com sua estirpe e a sua natureza
nascida de novo, e não busquem jamais o vivo entre os mortos. Jesus
nunca esteve ali; tampouco vocês se dirijam para lá. Ele não amou o
ruído nem o barulho dos prazeres do mundo; Ele tinha alimentos de
outro tipo. Que Deus lhes conceda sentir a sólida vida da ressurreição
dentro de seus espíritos.
IV. Porem, sigo adiante. Em quarto lugar, quero adverti-lhes contra OS
SERVIÇOS IRRACIONAIS. Essas boas pessoas para quem os anjos
disseram: ―não está aqui, mas ressuscitou‖, levavam uma carga, e o que
era que levavam? Levavam libras de especiarias, as mais preciosas que
puderam comprar. O que pretendem fazer? Ah, se um anjo pudesse rir,
eu pensaria que ele deve de ter rido ao dar-se conta de que essas
pessoas vinham embalsamar a Cristo. ―Não está aqui; e mais; não está
morto, ele não precisa ser embalsamado, Ele vive‖.
Talvez vocês tenham visto por toda Inglaterra na Sexta Feira Santa, e
também no Domingo de Glória, as multidões de pessoas – não tenho
nenhuma dúvida que são pessoas muito sinceras – que vem
embalsamar a Cristo. Tocam um sino porque Ele está morto, e jejuam e
cantam tristes hinos sobre seu Salvador morto. Eu bendigo ao Senhor
porque meu Redentor não está morto, nem tenho que tocar um sino
fúnebre por Ele. Ele ressuscitou, Ele não está aqui! Aqui vem multidões
deles com seus linhos finos, e suas preciosas especiarias para cobrir
um Cristo morto. Esses homens estão loucos? Porem, eles respondem,
‗nós só estávamos fazendo outra representação‘. Ó, se tratava disso?
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Tratava-se de farsas práticas? Encenar a gloriosa expiação do Calvário
como se fosse uma obra teatral! Então eu acuso os atores de blasfêmia
diante do trono do Deus eterno que ouve minhas palavras; os acuso de
irreverência por se atreverem a ensaiar em mímica o que foi feito uma
vez e para sempre, e que não se deve jamais repetir. Não, não posso
supor que tiveram a intenção de remendar o grandioso sacrifício, e,
portando, concluo que pensaram que seu Salvador estava morto, e
então eles disseram: ―Toquem os sinos por Ele! Ajoelhem-se e chorem
diante de Sua imagem na cruz‖. Se eu cresse que Jesus Cristo morreu
na Sexta Santa, eu festejaria todo o dia devido que Sua morte já
passou; como Ele ordenou que o excelso festival da Ceia do Senhor seja
Sua comemoração, e eu sigo Seu mandato, eu não guardo nenhum
jejum. Quem se sentaria e choraria por um amigo que morreu, se
soubesse que ele foi restaurado à vida e que foi exaltado em poder? Por
que se inclinar aos mortos por um amigo vivo? No entanto, não condeno
mais à boa gente do que os anjos condenaram àquelas santas
mulheres, só que podem levar suas especiarias para casa e seu linho
fino também, pois Jesus vive e não necessita dessas coisas.
Muitas pessoas exigentes fazem o mesmo de outras formas. Olhem
como elas dão um passo a frente em defesa do Evangelho. Descobriu-se
por meio da geologia e da aritmética que Moisés está equivocado. Na
mesma hora muitos saem para defender Jesus Cristo. Argumentam a
favor do Evangelho, e se desculpam por ele, como se agora ele estivesse
um pouco rançoso, e como se necessitássemos mudá-lo para adequá-lo
aos descobrimentos modernos e às filosofias da época presente. Isso me
parece exatamente com se aproximar com seu linho fino e com suas
especiarias preciosas para envolver Cristo. Leve-os embora. Eu me
pergunto se Butler e Paley não criaram juntos mais infiéis do que
jamais os curaram, e se a maioria das defesas do Evangelho não são
puras impertinências. O Evangelho não precisa ser defendido. Se Jesus
Cristo não estivesse vivo, e não pudesse pelejar Suas próprias batalhas,
então o cristianismo estaria em uma situação de risco. Porem, Ele vive,
e só temos que pregar Seu Evangelho em toda sua desnuda
simplicidade, e o poder que sai com ele será a evidência de sua
divindade. Nenhuma outra evidência jamais convencerá à humanidade.
As apologias e as defesas têm boas intenções, sem dúvida, como
também o embalsamento tinha boas intenções por parte dessas boas
mulheres, mas são de pequeno valor. Dê espaço para Cristo, dê-lhe
espaço e oportunidades para Seus pregadores pregarem o Evangelho, e
deixem que a verdade seja levada em uma linguagem simples, e logo se
ouvirá o Mestre dizer: ―levem as especiarias, levem embora o linho! Eu
estou vivo, e não preciso dessas coisas‖.
Vemos o mesmo tipo de coisa em outras boas pessoas que se apegam a
formas passadas da moda e dos estereótipos; para elas tudo deve ser
conduzido exatamente como sempre se conduziu há cem ou duzentos
anos. A ordem puritana deve ser mantida, e não deve haver nenhuma
divergência, e a maneira de expor o Evangelho tem que ser exatamente
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da mesma forma que foi exposto pelo bom ancião, o doutor Fulano de
Tal, e no púlpito deve existir a mais terrível monotonia que possa ser
traçada, e o pregador deve ser devotamente brando, e toda a adoração
deve ser serenamente apropriada: muitas especiarias e linho fino com
que cobrir a um Cristo morto. Já eu me deleito em fazer pedaços das
coisas convencionais e apropriadas. É algo grandioso pisotear as meras
regulações humanas, porque a vida não pode ser algemada com
regulações apropriadas somente para os mortos. A morte jaz envolta
como uma múmia no museu; mas a vida, a verdadeira vida, se
manifestará de formas inesperadas. A vida dirá o que a morte não
poderia dizer, surgirá onde não era esperada, e quebrará suas leis e
regulamentos em mil pedaços. Porem, ainda vejo a boa gente
levantando suas mãos em horror, e clamando: ―Tragam aqui a goma
arábica, a mirra e os aloés, tragam aqui o linho. Devemos cuidar de
nosso amado Mestre morto‖. Deixá-lo em paz, deixá-lo em paz, homem,
Ele está vivo e não precisa que o cubram. Não duvido em dizer que
grande parte da ordem da igreja entre os Dissidentes, os Episcopais,
Presbiterianos e todo tipo de denominações, e uma boa parte do
apropriado, do decoro, da regulação e do ―assim como era no principio,
agora e sempre será‖ não são nada que outras tantas especiarias e
linho fino para um Cristo morto, mas Cristo está vivo, e o que ele
precisa é de espaço! Não digo isso para meu próprio beneficio – por
acaso não sou sempre correto? – mas digo em benefício de alguns
sinceros irmãos evangelistas que, quando pregam aos pobres, usam
uma linguagem extravagante e talvez, também, uma ação extravagante.
Que o usem. Os críticos dizem que são teatrais. Houve alguma vez
alguém que fosse a metade de teatral e dramático do que Ezequiel?
Todos os profetas não fizeram coisas estranhas para ganhar a atenção
do povo? Vamos, a mesma acusação foi apresentada contra Whitefield e
Wesley: ―essas pessoas estão completamente quebrando todas as
regras‖ e etc. que benção quando os homens podem fazer isso!
O Sr. Hill foi para Escócia para pregar o Evangelho, e diziam que ele
pisoteava sobre os lombos de toda ordem e decoro. Então ele disse: ―vou
chamar meu par de cavalos com esses nomes, para que seja certo‖. Era
certo; e sem dúvida ele cavalgou sobre os lombos da ordem e do decoro,
mas ele levava às almas a Cristo com esses dois estranhos corcéis e
com seu quebrantamento de todas as regras para chegar a homens e
mulheres que nunca teriam sido alcançados de outra forma. Estejam
preparados para deixar Cristo em liberdade, e deem a Seus servos
liberdade para servir-lhe como o Espírito de Deis os guie.
V. Por último, queria falar-lhes sobre AS ASSOMBROSAS NOVIDADES
que essas boas mulheres receberam: ―Ele não está aqui, mas sim que
ressuscitou‖. Essas eram assustadoras novas para Seus inimigos. Eles
diziam: ―o matamos; o colocamos na tumba; tudo acabou para Ele‖. Ah,
escriba, fariseu, sacerdote, o que você fez? Sua obra foi revertida, pois
Ele ressuscitou! Essas foram espantosas novas para Satanás. Ele, sem
dúvida, sonhava que havia destruído ao Salvador, porem, Ele
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ressuscitou. Que estremecimento recorreu todas as regiões infernais!
Que noticias foi para a tumba! Agora ela estava completamente
destruída, e a morte tinha perdido seu aguilhão! Que noticia foi para os
trêmulos santos: ―o Senhor ressuscitou verdadeiramente‖. Eles
recobraram ânimo e disseram: ―a boa causa é a correta, e vencerá, pois
nosso Cristo vive e a encabeça‖. Essa foi uma boa notícia para os
pecadores. Sim, é uma boa notícia para todo pecador aqui presente.
Cristo vive; se você o busca, o encontrará. Eu não lhes estou hoje os
dirigindo a um Cristo morto. Ele ressuscitou; Ele pode salvar
perpetuamente aos que por Ele se aproximam a Deus. Não existem
melhores notícias do que essas para os homens tristes, para os homens
desassossegados, desanimados e desesperados: o Salvador vive, e é
ainda capaz de salvar e está disposto a lhe receber em Seu terno
coração. Essas foram notícias alegres, amados, para todos os anjos e
para todos os espíritos do céu; foram alegres novas, e viveremos em seu
poder com a ajuda de Seu Espírito, e as contaremos a nossos irmãos
para que se alegrem conosco, e jamais nos desesperaremos. Não
daremos mais espaço às dúvidas e aos temores, mas diremos uns aos
outros: ―o Senhor ressuscitou verdadeiramente‖. Que o Senhor os
abençoe, e que ao aproximarem-se de Sua mesa – e confio que muitos
membros de Seu povo se aproximarão – encontremos nosso Senhor
ressuscitado. Amém
Porção da Escritura lida antes do sermão – Lucas 24.
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ORE PARA QUE O ESPIRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA TRAZER UM
CONHECIMENTO SALVÍFICO DE JESUS CRISTO E PARA EDIFICAÇÃO DA
IGREJA
FONTE:
Traduzido de http://www.spurgeon.com.mx/sermon1106.pdf
Título original: THE LORD IS RISEN, INDEED
Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público e
com autorização de Allan Roman.
Sermão nº 1106 — Volume 19 do The Metropolitan Tabernacle Pulpit,
Tradução: Armando Marcos Pinto
Capa: Victor Silva
Projeto Spurgeon - Proclamando a Cristo crucificado.
Projeto de tradução de sermões, devocionais e livros do pregador batista
reformado Charles Haddon Spurgeon (1834-1892) para glória de Deus em
Cristo Jesus, pelo poder do Espírito Santo, para edificação da Igreja e salvação
e conversão de incrédulos de seus pecados. Acesse em:
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