Os três conselhos
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Postado Por : bibliacomentada.com.br
Categorias : Historias
Um
casal de jovens recém-casados era muito pobre e vivia de favores num sítio do
interior.
Certo dia, o marido
fez a seguinte proposta à esposa:
– Querida, vou sair
de casa, viajar para bem longe, arrumar um emprego e trabalhar até ter
condições para voltar e dar-te uma vida mais digna e confortável. Não sei
quanto tempo vou ficar longe, só peço-lhe uma coisa: que você me espere e,
enquanto estiver fora, seja fiel a mim, pois eu serei fiel a você.
Assim sendo, o
jovem saiu. Andou muitos dias a pé, até que encontrou um fazendeiro que estava
precisando de alguém para ajudá-lo em sua fazenda. O jovem chegou e ofereceu-se
para trabalhar, no que foi aceito.
Pediu para fazer um
pacto com o patrão, o que também foi aceito. O pacto era o seguinte:
– Deixe-me
trabalhar pelo tempo que eu quiser e quando eu achar que devo ir, o senhor me
dispensará de minhas obrigações. Eu não quero receber o meu salário. Peço-lhe
que o coloque um uma poupança, até o dia em que eu for embora. No dia em que eu
sair, o senhor me dará o dinheiro e eu seguirei o meu caminho.
Tudo combinado.
Aquele jovem trabalhou durante vinte anos, sem férias e sem descanso.
Depois de vinte
anos, chegou ao patrão e lhe disse:
– Patrão, eu quero
o meu dinheiro, pois estou voltando para a minha casa.
O patrão então lhe
respondeu:
– Sem dúvida,
afinal, fizemos um pacto e vou cumpri-lo. Só que antes desejo fazer-lhe uma
proposta. Eu lhe dou todo o seu dinheiro e você vai embora, ou eu lhe concedo
três conselhos e não lhe dou nenhum dinheiro, devendo você partir. Se eu lhe
der o dinheiro eu não lhe dou os conselhos e se eu lhe der os conselhos eu não
lhe dou o dinheiro. Vá para o seu quarto, pense e depois dê-me a resposta.
Ele pensou durante
dois dias, procurou o patrão e disse-lhe:
– Quero os três conselhos.
O patrão novamente
frisou:
– Se lhe der os
conselhos, não lhe darei o dinheiro.
E o empregado
respondeu:
– Quero os
conselhos.
O patrão então lhe
falou:
1. Nunca tome
atalhos em sua vida. Caminhos mais curtos e desconhecidos podem custar-lhe a
própria vida.
2. Nunca seja
curioso para aquilo que é mal, pois a curiosidade pelo mal pode ser-lhe mortal.
3. Nunca tome
decisões em momentos de ódio ou de dor, pois você poderá se arrepender e será
tarde demais.
Após dar os
conselhos, o patrão disse ao rapaz, que já não era tão jovem assim:
– Aqui você tem
três pães, dois para você comer durante a viagem e o terceiro é para comer com
sua esposa quando chegar a sua casa.
O homem, então,
seguiu seu caminho de volta, depois de vinte anos longe de casa e da esposa que
ele tanto amava.
Após o primeiro dia
de viagem, encontrou um andarilho que o cumprimentou lhe perguntou:
– Para onde você
vai?
Ele respondeu-lhe:
– Vou para um lugar
muito distante que fica a mais de 20 dias de caminhada por esta estrada.
O andarilho
disse-lhe então:
– Rapaz, este
caminho é muito longo, eu conheço um atalho que é perfeito e você chegará em
poucos dias.
O rapaz, contente,
começou a seguir pelo atalho, quando lembrou-se do primeiro conselho. Então,
voltou e seguiu o caminho normal.
Dias depois, soube
que o atalho levava a uma emboscada.
Depois de alguns
dias de viagem, cansado ao extremo, achou uma pensão à beira da estrada, onde
pôde hospedar-se.
Pagou a diária e
após tomar um banho deitou-se para dormir.
De madrugada,
acordou assustado com um grito estarrecedor. Levantou-se de sobressalto e
dirigiu-se à porta para ir até o local do grito. Quando estava abrindo a porta,
lembrou-se do segundo conselho. Voltou, deitou-se e dormiu.
Ao amanhecer, após
tomar seu café, o dono da hospedagem perguntou-lhe se ele não havia ouvido um
grito ao que ele disse que ouvira. O hospedeiro disse-lhe:
– E você não ficou
curioso?
Ele lhe disse que
não, no que o hospedeiro respondeu-lhe:
– Você é o primeiro
hóspede a sair vivo daqui, pois meu filho tem crises de loucura. Grita durante
a noite e quando o hospede sai, mata-o e enterra-o no quintal.
O rapaz prosseguiu
na sua longa jornada, ansioso por chegar em sua casa.
Depois de muitos
dias e noites de caminhada, já ao entardecer, viu entre as árvores a fumaça de
sua casinha, andou e logo viu entre os arbustos a silhueta de sua esposa.
Estava anoitecendo, mas ele pôde ver que ela não estava só.
Andou mais um pouco
e viu que ela tinha entre as pernas, um homem a quem estava acariciando os
cabelos.
Quando viu aquela
cena, seu coração se encheu de ódio e amargura e decidiu-se a correr de
encontro aos dois e matá-los sem piedade.
Respirou fundo,
apressou os passos, quando lembrou-se do terceiro conselho. Então, parou,
refletiu e decidiu dormir aquela noite ali mesmo e no dia seguinte tomar uma
decisão.
Ao amanhecer, já
mais calmo, pensou consigo: “Não vou matar minha esposa e nem o seu amante. Vou
voltar para o meu patrão e pedir-lhe que ele me aceite de volta. Mas antes,
quero dizer a minha esposa que eu sempre fui fiel a ela”.
Dirigiu-se à porta
da casa e bateu. Quando a esposa abriu a porta e o reconheceu, atirou-se ao seu
pescoço, abraçando-o afetuosamente.
Ele tentou
afastá-la, mas não conseguiu. Então, com lágrimas nos olhos, ele lhe disse:
– Eu fui fiel a
você e você me traiu.
Ela, espantada,
responde-lhe:
– Como? Eu nunca te
trai! Esperei-te durante esses vinte anos!
Ele, então,
perguntou-lhe:
– E aquele homem
que você estava acariciando ontem ao entardecer?
Ela lhe disse:
– Aquele homem é
nosso filho. Quando você foi embora, descobri que estava grávida. Hoje ele está
com 20 anos de idade.
Então, o marido
entrou, conheceu, abraçou seu filho e contou-lhes toda a sua história, enquanto
a esposa preparava o café. Sentaram-se para tomá-lo e comer juntos o último
pão.
Após a oração de
agradecimento, com lágrimas de emoção, ele partiu o pão e, ao abri-lo,
encontrou todo o seu dinheiro, o pagamento por seus 20 anos de dedicação e
trabalho.
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Muitas vezes
achamos que um atalho “queima etapas” e nos faz chegar mais rápido, o que nem
sempre é verdade…
Muitas vezes somos
curiosos, queremos saber de coisas que nem ao menos nos dizem respeito e que
nada de bom nos acrescentará…
Outras vezes,
agimos por impulso, na hora da raiva, e fatalmente nos arrependemos depois…
Espero que você não se esqueça desses três conselhos e não se esqueça também de
CONFIAR, mesmo que a vida, muitas vezes, já tenha lhe dado motivos para a
desconfiança.